Damião. Damião é um senhor
astuto, vivido e gaiato que vive lá pelas bandas do interior de Goiás. Sempre
andando pelo vilarejo fumando o seu cigarrinho de palha, e tomando aquela velha
e boa cachacinha com os amigos no boteco.
Sua companheira, dona Francisca,
que não apreciava muito o comportamento do marido. Como dava trabalho aquele
homem! Chegando em casa com aquele cheiro de cinquenta e um, ela tendo que o
carregar, dar banho e o colocar para dormir. Mas no outro dia a mesma coisa:
ele saindo e dona Francisca o advertindo.
– Mais já vai inchê a cara di pinga di novo infeliz?! Tu vai morre
égua!
– Ara sô. Fica tranquia quí eu
num isqueço u caminho di casa não uai!
Mas que mulher amarga, pensava
ele. Porém, aquilo logo passava, e lá estava ele com o seu cigarrinho de palha,
nos botecos com os amigos a aproveitar os deleites de sua aposentadoria.
– Vamu bebê pra comemorá. Quando
agente num tivé mais u quí comemorá,
agente bebe pra isquecê que num tem!
Os seus amigos o adoravam! No seu
aniversário ganhou uma caixa de cigarros de palha venezuelanos e uma garrafa de
tequila, do seu amigo “Zézinho”.
– Vou fumá esses cigarro e abri essa garrafa semana quí vem. Comemorá o aniversário da patroa!
Mas que coisa a vida. Damião deveria
ter dado ouvidos a sua mulher. Antes que uma semana se passasse e ele não
aguentou a bebedeira. No seu velório estavam lá os seus amigos, lamentando a
perca de Damião. Todos chorando e relembrando o quão bem humorado era aquele
velhinho.
Entretanto, ninguém estava mais
triste que dona Francisca. Ficar sozinha para cuidar de três filhos, o que
seria dela? Em um ato de desespero e fé, ali a beira do caixão do seu marido
ela fez uma prece:
– Ô minha nossa sinhora. Valei-me minha mãezinha. Devorve o meu marido, que eu prometo fazê di tudo para ele pará di bebê!
Todos ficaram espantados quando
viram os braços de Damião começar a mexer. Dona Francisca estava com os olhos
cheios d’agua e agradecia a todos os santos que se lembrou naquele momento. Seu
Damião ali, sentado no caixão, olhando um tanto assustado para todos. Será que
a fé de sua esposa o salvou?
Mas aquilo foi demais para dona
Francisca. A pobre senhora não aguentou tanta emoção e caiu ali mesmo. Dura
como pedra! Então no dia seguinte estavam ali todos os mesmos, só que agora no
caixão estava dona Francisca. Não se aguentando de curiosidade mesmo naquele
momento de tanta dor para Damião, “Zézinho” tinha que perguntar.
– Uai Damião. Mai como foi que ocê vortô a vive homi?
– Num é dí vê Zézin. Eu já tava lá proseando cum São Pedo, quando
alembrei qui num tinha fumado nenhum dos cigarro di paia i nem bebido da tal Tequila. Tive que vortá!
Por: Marco A. S.
Rodrigues
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